FIÉIS DENUNCIARAM QUE DESPESAS DA CASA DA
DIOCESE DE FORMOSA-GO SUBIU DE R$ 5 MIL PARA R$ 40 MIL, A PARTIR DA POSSE DO
BISPO RONALDO, EM 2015, INCLUSIVE, SEGUNDO A DENÚNCIA, COM A PRESENÇA “DOS
FILHOS DO BISPO”
PARTE
DO DINHEIRO FOI USADA, SEGUNDO A INVESTIGAÇÃO, NA COMPRA DE UMA FAZENDA DE GADO
E UMA CASA LOTÉRICA NA CIDADE DE POSSE, TAMBÉM NO INTERIOR DE GOIÁS. AS
PROPRIEDADES FORAM COLOCADAS EM NOMES DE LARANJAS
Foto
Oliveira Júnior
José Ronaldo Ribeiro, foi o segundo bispo da Diocese de
Janaúba-MG, de onde saiu também com indícios de conflitos financeiros com a
instituição religiosa.
GOIÂNIA-GO
(por Sílvio Túlio, G1 GO) - Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO)
realiza na manhã desta segunda-feira, 19 de março, uma operação contra desvios
de recursos na Igreja Católica em três cidades goianas do Entorno do Distrito
Federal. A ação, batizada de "Caifás", apura que o esquema se
apropriava de dinheiro oriundo de dízimos, doações, arrecadações de festas
realizadas por fiéis e taxas de eventos como batismos e casamentos. A suspeita
é que o prejuízo estimado é de mais de R$ 2 milhões.
Foto: MP-GO/Divulgação
Bispo de Formosa, Dom José Ronaldo, foi preso durante operação do MP.
São
cumpridos 13 mandatos de prisão e dez de busca e apreensão em Formosa, Posse e
Planaltina. Entre os presos, estão o bispo de Formosa, Dom José Ronaldo, quatro
padres e um monsenhor. Além de residências e igrejas, até um monsteiro é alvo da
investigação.
Segundo
o promotor de Justiça Douglas Chegury, um dos responsáveis pela operação, foram
apreendidas caminhonetes da cúria em nomes de terceiros, além de uma grande
quantia de dinheiro em espécie, cujo valor ainda não foi divulgado.
Foto Oliveira Júnior
José Ronaldo Ribeiro foi bispo da Diocese de Janaúba-MG no período de 06 de junho de 2007 a novembro de 2014, quando então, em 22 de novembro de 2014 assumiu a Diocese de Formosa, no estado de Goiás. Em 1º de agosto de 2015 ele retornou à Janaúba (foto) para a posse do bispo Ricardo Guerrino Brusatti.
De
acordo com o MP-GO, a suspeita é que a associação criminosa atuava na cúria da
Diocese da Igreja Católica de Formosa e outras paróquias relacionadas a elas
nas outras cidades. As investigações começaram após denúncias de fiéis que
relataram desvios iniciados em 2015.
Participam
da ação cerca de dez promotores de Justiça, além das polícias Civil e Militar.
Foto MP divulgação
O bispo José Ronaldo Ribeiro, da Diocese de Formosa-GO, sendo levado em carro da Polícia Militar de Goiás.
Mandados:
Formosa:
nove de prisão e cinco de busca e apreensão
Posse:
três de prisão e quatro de busca e apreensão
Planaltina:
um de prisão e um de busca e apreensão
DENÚNCIA
Em
dezembro de 2017, fiéis denunciaram que as despesas da casa episcopal de
Formosa, onde o bispo mora, passaram de R$ 5 mil para R$ 35 mil desde que Dom
José Ronaldo assumiu o posto, havia três anos.
“O
que nós temos certeza é que as contas da cúria não fecham. Então, nós queremos
a abertura pública das contas da cúria (administração da diocese) e dos gastos
da casa episcopal”, disse uma fiel, que preferiu não se identificar.
O
grupo que contesta as contas informou que não recolheria o dízimo até que as
medidas sejam atendidas. A diocese disse na época que o custo das 33 paróquias
é de cerca de R$ 12 milhões por ano. Já a arrecadação, no mesmo período, é de
R$ 16 milhões. O restante é destinado ao fundo de cada unidade.
Dom
José Ronaldo alegou na época que não tocava no dinheiro e que não houve o
pedido, por parte do grupo, para a apresentação de contas. “Não tem nada de
impropriedade. Não toco nos repasses financeiros das paróquias que são
destinados à manutenção das necessidades da Diocese, casa do clero, seminário,
estrutura da cúria, funcionários, etc.”, declarou.
(Fonte: https://g1.globo.com/go/goias/noticia/mp-realiza-operacao-contra-desvios-de-recursos-na-igreja-catolica-em-tres-cidades-de-goias.ghtml)
(Fonte: http://www.mpgo.mp.br/portal/noticia/mp-deflagra-operacao-caifas-em-3-cidades-para-desarticular-desvios-de-recursos-da-igreja-catolica)
FIÉIS
PROTESTAM POR TRANSPARÊNCIA EM CONTAS DE IGREJA
Fiéis
católicos de Formosa, a 280 quilômetros de Goiânia, haviam organizados em
dezembro de 2017 o manifesto Janeiro em Branco, que consistia em na não
devolução do dízimo até que o atual bispo da cidade, dom José Ronaldo Ribeiro,
prestasse contas sobre os gastos da diocese. Segundo os membros do episcopado
do Entorno do Distrito Federal, desde que o bispo assumiu, em janeiro de 2015,
ele não apresentava registros de gastos da cúria, nem onde foram aplicados os
recursos conquistados nas três últimas grandes festas da Catedral.
Um
dos carros que pertencem à diocese (de Formosa) é utilizado por um padre da
igreja matriz e tinha (em dezembro de 2017) pelo menos 15 infrações por exceder
o limite de velocidade. Essas situações levaram os fiéis a procurarem a
Nunciatura Apostólica, em Brasília. "Já enviamos pelo menos sete cartas,
mas não tivemos retorno de nenhuma".
FILHOS
Outra
situação questionada pelos fiéis é a presença dos "filhos" de dom
José Ronaldo Ribeiro na casa episcopal, que é onde ele mora. 'O custo da casa
passou de cerca de R$ 5 mil quando o antigo bispo morava aqui para média de R$
40 mil. Não concordamos com isso", pontuam os fiéis. (Fonte, jornal O
Popular, 11/12/2017)
BISPO
E PADRES SÃO PRESOS ACUSADOS DE DESVIAR R$ 1 MILHÃO POR ANO DE DIOCESE EM GOIÁS
GOIÂNIA-GO
(por Flávio Costa/Uol) – O bispo de Formosa-GO, José Ronaldo Ribeiro, o vigário
geral e outros quatro padres foram presos na manhã desta segunda-feira, dia 19
de março, suspeitos de desvio anual de R$ 1 milhão da diocese de Goiás, aponta
investigação do MP (Ministério Público) do Estado.
Parte
do dinheiro foi usada, segundo a investigação, na compra de uma fazenda de gado
e uma casa lotérica na cidade de Posse, também no interior de Goiás. As
propriedades foram colocadas em nomes de laranjas.
"A
região da diocese engloba 33 igrejas em 20 paróquias. Por ano, são arrecadados
cerca de R$ 17 milhões por meio de dízimos, doações e faturamento de festas
realizadas de fiéis, além de taxas aplicadas para cerimônias de batismo.
Policiais
civis cumpriram 13 mandados de prisão e dez de busca e apreensão nas cidades de
Formosa, Posse e Planaltina. Entre os locais de busca encontra-se um mosteiro,
além das casas dos suspeitos. O nome dado à Operação foi o de Caifás, de acordo
com o Evangelho, ele foi o sacerdote que entregou Jesus Cristo a Pôncio
Pilatos.
Foram
apreendidos uma quantidade ainda não contabilizada de dinheiro, aparelhos
eletrônicos, notas promissórias e documentos contábeis da diocese. Contas
bancárias dos suspeitos foram bloqueadas, por decisão da Justiça goiana.
A
investigação foi iniciada em 2015 pelo MP-GO a pedido de 30 "leigos
católicos apostólicos" que denunciaram irregularidades e uso indevido de
bens da Igreja Católica por parte da direção da Cúria Diocesana de Formosa
"A
região da diocese engloba 33 igrejas em 20 paróquias. Por ano, são arrecadados
cerca de R$ 17 milhões por meio de dízimos, doações e faturamento de festas
realizadas de fiéis, além de taxas aplicadas para cerimônias de batismo e
casamento", informou o promotor de Justiça Douglas Chegury, responsável
pela investigação.
"Deste
total, cerca de 10% era repassado à Cúria Diocesana, o órgão máximo da diocese.
A investigação descobriu que esse dinheiro era desviado pelo bispo e outros
padres em benefício próprio", diz o promotor. "O montante desviado chega
a R$ 1 milhão por ano", acrescenta o promotor.
A
apuração descobriu, por meio quebra de sigilos telefônicos e bancários dos
investigados, que somente um padre investigado tinha saldo de R$ 400 mil em sua
conta bancária. "Carros da arquidiocese também eram desviados proveito próprio
dos investigados", afirma Chegury.
Bispo
negou irregularidades
Entre
os presos, além do bispo, estão o vigário geral, monsenhor Epitácio Cardozo
Pereira, e os padres Moacyr Santana, Mário Vieira de Brito, Waldson José de
Melo. "De modo mais incisivo, são inúmeros os diálogos transcritos a
partir das interceptações telefônicas em que apontam a possibilidade de que os
clérigos José Ronaldo, Epitácio, Moacyr, Mário e Waldson estejam a desviar
vultuosas quantias que podem ter servido para aquisição de uma propriedade
rural no município de Posse com criação de gado e de uma casa lotérica (também
em Pose), além de despesas de cunho exclusivamente pessoa diretamente pelo
bispo arcadas pela instituição", afirma o juiz da 2º Vara Criminal de
Formosa, Fernando Oliveira Samuel, em sua decisão que decreta a prisão temporária
dos investigados. De acordo com a legislação, a prisão temporária vale por
cinco dias.
Quando
veio a público as denúncias dos fiéis, o bispo José Ronaldo Ribeiro negou que
tenha cometido irregularidades. "Não tem nada de impropriedade. Não toco
nos repasses financeiros das paróquias que são destinados à manutenção das
necessidades da diocese, casa do clero, seminário, estrutura da cúria e
funcionários, por exemplo", disse o bispo.
Pressão
sobre testemunhas
Quando
as denúncias dos fiéis vieram à tona, o bispo Ribeiro convocou um padre de sua
confiança, que tinha as funções de juiz eclesiástico, com o objetivo de
intimidar testemunhas, afirma o MP-GO.
"Esse
juiz eclesiástico pressionou os padres para que nada fosse relevado e eles
jurassem fidelidade ao padre. O bispo e o juiz eclesiástico, com a ajuda de um
advogado, elaboraram um relatório falso no qual se afirma que as despesas da
arquidiocese são menores do que de fato são", diz o promotor Chegury.
O
esquema contava ainda com a ajuda de funcionários da arquidiocese que
providenciavam falsa documentação para dar respaldo aos desvios.
"Consta
que Darcivan da Conceição, em declarações dele próprio aos promotores de
Justiça, seria o contador da Cúria e conhece os problemas ligados à
regularidade dessas finanças e, mesmo tento a plena ciência de incoerências, aprovava
essas contas anualmente", afirma o juiz Samuel.
"Nelas,
disse por várias vezes do resultado contábil que alcançava saldo positivo --ou
seja, os documentos apontavam sobras de recursos na Cúria e em algumas
paróquias --mas que os responsáveis diziam que não tinham esse valor (estaria
zerado). Então, ele providenciava a documentação necessária para dar respaldo
nas finanças (por meio de "declaração"), mesmo ciente que formalmente
não tinha sido a realidade contábil", acrescenta o magistrado. (Fonte: Uol
https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2018/03/19/bispos-e-padres-presos-desviavam-r-1-milhao-por-ano-de-arquidiocese-em-goias-diz-mp.htm)
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